Aconteceu ontem em Los Angeles a 75ª edição do Golden Globe Awards, premiação que celebra o melhor da TV norte-americana. Este ano o evento foi marcado pelo protesto contra o assédio sexual, assunto que está gerando muita discussão em Hollywood por causa das inúmeras revelações do abuso sofrido por diversas pessoas da industria do entretenimento no país.

Logo no tapete vermelho, o código de vestimenta em apoio ao protesto era usar preto, embora cerca de três convidados não aderiram a ideia. Alguns ainda usavam um pin do movimento Time’s Up, que também protesta contra a desigualdade de gênero na industria.

A premiação que sempre foi marcada pelo roteiro divertido em sua apresentação, não teve espaço para tantas piadas esse ano. O assunto era sério. O apresentador Seth Meyers não se mostrava muito confortável em estar apresentando o evento, talvez por ser homem e o assunto ser extremamente delicado, mas conseguiu prosseguir de forma consistente e apesar do desconforto tocou muito bem o show.

O prêmio honorário Cecil B. Demille foi entregue a Oprah Winfrey. A atriz e icônica apresentadora foi a primeira mulher negra a receber tal honra. Aplaudida de pé, Oprah fez um longo discurso empoderado e relatou ter sido inspirada por Sidney Poitier, primeiro ator negro a ganhar um Oscar.

“Eu quero que todas as meninas assistindo agora saibam, há um novo dia no horizonte. E que quando este novo dia finalmente chegar, será graças a muitas mulheres magníficas, e alguns homens fenomenais, lutando duro para ter certeza de que elas se tornem as líderes que nos levem a um tempo em que ninguém jamais tenha de dizer ‘Eu também’ novamente.” discursou a atriz se referindo ao movimento #MeToo (Eu também em português) onde as pessoas relatavam terem vivenciado algum tipo de situação envolvendo abuso sexual, seguindo a polemica envolvendo os abusos sexuais cometidos pelo produtor Harvey Weinstein.

 

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A apresentadora ainda lembrou Recy Taylor, falecida no final do ano passado. Recy foi uma mulher que em 1944 foi fortemente violentada por seis homens brancos e depois largada de olhos vendados a beira de uma estrada. Os culpados nunca foram levados a justiça.

“Recy Taylor morreu há dez dias, pouco antes de completar 98 anos. Ela, como todos nós, viveu muitos anos em uma cultura destruída por homens brutalmente poderosos. Por muito tempo, não ouviam as mulheres, ou não acreditavam nelas quando ousavam falar a verdade sob o poder desses homens. Mas esse tempo acabou!” 

Quem também abordou o assédio sexual em seu discurso foi Elisabeth Moss, que subiu ao palco para receber o troféu de Melhor atriz numa série dramática por ‘The Handmaid’s Tale’, que trata exatamente sobre o abuso sofrido pelas mulheres. A produção inclusive também levou o prêmio Melhor Série Dramática.

“Nós éramos as pessoas que não estavam nos jornais. Vivíamos nos espaços em branco, nas beiras das páginas impressas. Isso nos dava mais liberdade. Vivíamos nos espaços entre as histórias” discursou a atriz citando Margaret Atwood, autora do livro ‘O Conto da Aia’ que deu origem a aclamada série.

A noite ainda prosseguiu com outros discursos citando os abusos sexuais em Hollywood e divulgando o movimento criado pelas mulheres da industria.

O Time’s Up é um manifesto que conta com a assinatura e apoio de mais de 300 mulheres da industria do entretenimento. Com uma plataforma online, a iniciativa já tem um fundo com mais de 13 Milhões de dólares em doações. O dinheiro será destinado a ajudar mulheres que sofrem abuso sexual mas não tem condições de sair de casa ou bancar um processo.

 

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