Para a capa da edição de setembro da revista Vougue, Beyoncé fez a exigência de um photoshoot com pouca maquiagem e sem suas perucas, tendo ainda um fotógrafo negro, que teve seu nome revelado como Tyler Mitchell. A cantora ainda abriu o coração sobre a gravidez de risco e momentos conturbados que teve com seu marido, Jay-Z.

Foto: Divulgação / Vogue

Depois do nascimento da minha primeira filha [Blue Ivy], comecei a acreditar nas coisas que as pessoas diziam sobre como meu corpo deveria ser. Eu coloquei pressão sobre mim, para perder todo o peso pós parto, e agendei uma pequena turnê para garantir que isso aconteceria. Olhando para trás, foi uma loucura. Eu ainda estava amamentando quando realizei os shows em Atlantic City em 2012. Depois dos gêmeos, eu me aproximei das coisas de forma muito diferente.

 

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Eu estava com 98 quilos, o dia que dei à luz Rumi e Sir. Eu estava inchada de toxemia e estava em repouso por mais de um mês. Minha saúde e a saúde de meus bebês estavam em perigo, então eu tive que fazer uma cesariana de emergência. Passamos muitas semanas na UTI neonatal. Meu marido foi um guerreiro e um sistema de apoio muito forte para mim. Tenho orgulho de ter sido testemunha de sua força e evolução como homem, melhor amigo e pai. Eu estava em modo de sobrevivência e não compreendi tudo até meses depois. Hoje tenho uma conexão com qualquer pai que tenha passado por essa experiência. Foi uma grande cirurgia. Alguns de seus órgãos são deslocados temporariamente e, em casos raros, são removidos temporariamente durante o parto. Não tenho certeza de que todos saibam disso. Eu precisava de tempo para me curar, para me recuperar.

Foto: Divulgação / Vogue

Durante a minha recuperação, eu me dei amor e cuidado, e aceitei ser mais cautelosa. Eu aceitei o que meu corpo queria ser. Depois de seis meses, comecei a me preparar para o Coachella. Eu me tornei vegana por um tempo, larguei o café, o álcool e todos os sucos de frutas. Mas eu fui paciente comigo mesma e amei minhas curvas mais realçadas. Meus filhos e meu marido também. Acho importante que mulheres e homens vejam e apreciem a beleza em seus corpos naturais. É por isso que eu tirei as perucas e extensões de cabelo e usei pouca maquiagem para essa sessão. Até hoje meus braços, ombros, seios e coxas estão maiores. Eu tenho uma pequena barriga de mamãe e não tenho pressa em me livrar dela.

 

Foto: Divulgação / Vogue

 

Eu venho de uma linhagem de relacionamentos mal sucedidos, abuso de poder e desconfiança. Só quando vi isso claramente pude resolver esses conflitos em meu próprio relacionamento. Conectar-se ao passado e conhecer nossa história nos torna tanto feridos quanto lindos. Eu pesquisei minha ascendência recentemente e aprendi que eu venho de um proprietário de escravos que se apaixonou e se casou com uma escrava. Eu tive que processar essa revelação ao longo do tempo. Eu questionei o que isso significava. Eu agora acredito que é por isso que Deus me abençoou com meus gêmeos. A energia masculina e feminina coexistiram e cresceram no meu sangue pela primeira vez. Oro para que eu seja capaz de quebrar as maldições geracionais da minha família e que meus filhos tenham vidas menos complicadas.

Eu já passei pelo inferno e estou grata por cada cicatriz. Eu tenho experimentado traições e mágoas de várias maneiras. Eu tive decepções em parcerias de negócios, bem como pessoais, e todas elas me deixaram sentindo invadida, perdida e vulnerável. Através de tudo, eu aprendi a rir, chorar e a crescer. Eu olho para a mulher que eu era em meus 20 anos e vejo uma jovem crescendo em confiança, mas com a intenção de agradar a todos ao seu redor. Agora me sinto muito mais bonita, muito mais sexy, muito mais interessante. E muito mais poderosa.

 

Foto: Divulgação / Vogue

No final, Bey ainda deixou um texto de representatividade e aceitação. Confira :

Minha mãe me ensinou a importância não apenas de ser vista, mas de me ver. Como mãe de duas meninas, é importante para mim que elas também se vejam – em livros, filmes… É importante para mim que elas se vejam como CEOs, como chefes, e que elas saibam que podem escrever o roteiro de suas próprias vidas – que podem falar o que pensam. Elas não precisam ser de um certo tipo ou se encaixarem em uma categoria específica. Elas não precisam ser politicamente corretos, contanto que sejam autênticas, respeitosas, compassivas e empáticas. Elas podem explorar qualquer religião, se apaixonarem por qualquer raça e amar quem elas queiram amar.

Eu quero as mesmas coisas para o meu filho. Eu quero que ele saiba que pode ser forte e corajoso, mas que também pode ser sensível e gentil. Eu quero que meu filho tenha um QI emocional alto, em que ele seja livre para ser atencioso, sincero e honesto. É tudo o que uma mulher quer em um homem, e ainda assim não ensinamos aos nossos meninos.

Eu espero ensinar meu filho a não ser vítima do que a internet diz que ele deveria ser ou como ele deveria amar. Eu quero criar melhores representações para ele, de modo que ele possa atingir seu pleno potencial como homem, e ensiná-lo que a verdadeira magia que ele possui no mundo é o poder de afirmar sua própria existência.

Eu estou em um lugar de gratidão agora.

Estou aceitando a mim mesma. Vou continuar a procurar cada centímetro da minha alma e cada parte da minha arte.

Eu quero aprender mais, ensinar mais e viver intensamente.

Eu trabalhei muito para conseguir chegar em um lugar onde eu possa escolher me cercar daquilo que me preencha e me inspira.

 

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