O filme “A Divisão” é para aqueles gostam de ação e têm muito fôlego. Baseada em uma história real, a trama aborda uma onda de sequestros que invadiu o Rio de Janeiro no final da década de 1990. Dirigido por Vicente Amorim e produzido por José Júnior, o longa-metragem coloca a polícia e o crime lado a lado em uma narrativa que apresenta muitas semelhanças com Tropa de Elite, mas ganha um estilo próprio no decorrer dos acontecimentos.

Com estreia marcada para o dia 23 de janeiro nos cinemas, o filme surgiu a partir de uma série da Globoplay, lançada em julho do ano passado, e foi construído com base na primeira temporada, composta por cinco episódios. Apesar da história ser apresentada em dois produtos diferentes, ela pode ser vista separadamente em cada um deles.

A série, obviamente, traz detalhes que a película não apresenta – mas que poderiam ter sido adaptados de alguma outra maneira -, com um desfecho maior a partir do último episódio e a inserção de novos personagens. Mas é provável que a decisão tenha sido tomada pelo tempo de duração do longa (mais de duas horas) e uma possível continuação da obra.

O problema, porém, é que ainda assim o filme se torna um pouco extenso e a mudança no roteiro original, em relação a série, pode causar certa confusão sobre o envolvimento de determinadas pessoas no crime principal.

Protagonizado por Silvio Guindane e Erom Cordeiro, o longa soube fazer bom uso da câmera subjetiva ao colocar o espectador no meio do fogo cruzado como parte da cena. A fotografia, a maquiagem realista que faz você se perguntar se é algo verdadeiro ou não, o balanço proposital dos cinegrafistas nos conflitos e o aproveitamento do silêncio nos momentos certos tornam a produção muito mais quente e emocionante. Quem estiver assistindo é capaz até de segurar a própria respiração. Inclusive, as cenas de tortura e assassinato estão entre as mais impactantes. Nada foi borrado ou escondido e sangue é o que não falta no cenário.

Mas não é só a composição que pode tornar o filme uma grande aposta do cinema nacional. A atuação de Silvio no papel de Mendonça, delegado titular conhecido pelo seu temperamento violento nas operações, é uma das mais fortes. Frio nas cenas que exigem a caracterização de um policial que não poupa a vida de um bandido, o ator consegue transparecer ao mesmo tempo a emoção, a aflição e a preocupação em que o personagem está inserido.

Ao seu lado, Erom Cordeiro trouxe para a tela um policial corrupto, mas não muito adepto aos tiros, diferente do colega da profissão. O personagem, bem eficiente na captura de criminosos, apesar dos apesares, se mostra disposto a terminar o que lhe foi passado. Juntos na Divisão de Antissequestro (DAAS), ambos assumem a missão de desmontar as quadrilhas de sequestro que transformaram o crime em indústria.

Mas uma das atuações mais surpreendentes foi a de Hanna Romanazzi. A atriz, que interpreta a filha sequestrada de um deputado, não recebeu um papel de muitas falas, mas conseguiu dizer tudo que precisava sem abrir a boca. Seu maior desafio foi passar todo o sentimento de sua personagem através de suas expressões e de seu choro. E ela cumpre isso muito bem.

“A Divisão” tem tudo para conquistar o público. Com um elenco formado ainda por Natália Lage, Vanessa Gerbelli, Thelmo Fernandes, Dalton Vigh, Rafaela Mandelli, Cinara Leal, Augusto Madeira, Osvaldo Mil e Marcos Palmeira, a produção aborda a corrupção, o homicídio e a sede de poder de uma forma concreta.

No longa, todos os personagens têm um desvio de caráter e ninguém é herói na história. É uma trama que mostra como o dinheiro e o interesse são levados pelos mais fracos e pelos mais fortes. E quem parece inocente pode ter seu momento de prova. Afinal, não é uma questão de vida, mas sim de quem será salvo. E no fim todos querem ser.

Fotos: Divulgação

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