Para os fãs de thriller, aí vai uma indicação! A série “Bom Dia, Verônica” da Netflix tem deixado o público angustiado com a trama. A adaptação do livro de 2016 da dupla, Ilana Casoy e Raphael Montes – que na época foi publicado sob o pseudônimo Andrea Killmore -, foi lançado pela Darkside Books, que traz a jornada da escrivã Verônica Torres (Tainá Muller), e sua busca por justiça às vítimas de violência doméstica.

Vale lembrar que se você é sensível a este tipo de conteúdo, não continue a leitura. A produção da Netflix se esforçou em representar um tema tão delicado, com precisão.

O suspense policial traz plot twists à todo vapor, te prendendo a cada momento da série expondo as formas de violência e tortura sofridas pelas mulheres, sem banalizar a violência.

A história de Janete (Camila Morgado), é retratada com uma sensibilidade absurda, que sofre nas mãos do personagem Brandão (Eduardo Moscovis). A adaptação, deixou de lado alguns acontecimentos do livro, mas foi necessário para que a história coubesse em seus oito episódios.

Bom Dia, Verônica não é um livro fácil de digerir, os autores descrevem de forma explícita, os atos de violência, necrofilia e infidelidade, o que faltou na adaptação da Netflix, que não introduziu tais atos, a fim de não prolongar a série.

Na obra, Verônica é extremamente impulsiva, mas sempre busca a justiça pelas mulheres -o que é mantido na adaptação também-, e as decisões tomadas no calor do momento prejudicam a vida pessoal da escrivã. A personagem vivida por Tainá Muller retrata que é necessário muito mais que força de vontade para lutar contra o sistema.

Há alguns pontos que são necessários citar, o personagem Wilson Carvana (Antonio Grassi), na obra original, é um cara extremamente machista e preconceituoso, o que não é deixado de lado na série, porém, em menor quantidade.

O intuito da adaptação é trazer uma versão de Bom Dia, Verônica mais enxugada e higienizada, o que é necessário para não ficar algo tão corrido e maçante de assistir, algo necessário para tornar o seriado, maratonável no fim de semana.

Eu, acredito que a forma que adaptaram a obra para a série foi boa e necessária, e vale lembrar que a Netflix não é conhecida por fazer temporadas tão extensas de seriados. Então não vejo outra forma de retratar a história de Verônica. Creio, que se houver uma segunda temporada, vão dar mais solidez para alguns assuntos que foram deixados de lado.

Bom Dia, Verônica é uma série boa, o ponto negativo é a falta de alguns elementos chave, e uma abordagem mais forte, no entanto, a produção é de altíssimo nível, com uma direção de tirar o fôlego, trazendo também uma fotografia absurda para o seriado.

O elenco trabalhou com excelência, demonstrando com muita precisão o arco de Janete e Brandão. Camila Morgado se entregou cem por cento ao personagem, nos fazendo entrar de cabeça na série e sofrer junto com a Janete. Por sua vez, o Brandão interpretado por Moscovis é assustador, o ator realmente viveu de corpo e alma, explorando todas as nuances.

Prendendo o espectador pelo suspense, ação e pela brutalidade, a série traz uma versão segura e com menos gatilhos que a obra original, e vale ressaltar que é importante a narração abordada pela Netflix, que conscientiza o público sobre a violência contra a mulher.

NOTA: ⭐⭐⭐⭐

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