Na última semana, a banda Daparte lançou “Nunca Fui Desse Lugar”, parceria com Lagum e fez com que todo mundo amasse ainda mais os grupos mineiros. E, para falar deste lançamento, o Conexão POP conversou com João Ferreira, vocalista da Daparte. Confira a entrevista completa:

Para galera que está conhecendo vocês agora, como surgiu a Daparte?

Éramos amigos desde sempre, desde antes da banda acontecer. O Ju [Juliano] tinha uma banda com o nosso tecladista, o Bernardo, e eu tinha uma banda com o nosso baterista. Por acaso, as duas bandas acabaram no mesmo momento. Na época, tínhamos as bandas por hobby.

Após, o Ju tinha um show marcado e nos para tocar com ele e nós fizemos o show sem muita expectativa, sem uma ideia, pois só tínhamos nos juntado para um show. Contudo, percebemos que existia uma química boa entre nós e começamos a ensaiar e fazer música. Fomos fazendo shows em Belo Horizonte e mostrando nossas músicas.

Com o público aparecendo, continuamos tocando e levando. Em 2018, lançamos um álbum e começamos a levar mais a sério.

Agora sobre o single, como surgiu a parceria com o Lagum?

Também somos amigos desde antes e tivemos a sorte grande em crescer numa época em que a cidade de Belo Horizonte estava tendo muita gente talentosa. O Lagum talvez seja um dos pilares desse momento da cidade.

A gente sempre os admirou e mesmo sendo mais velhos que a gente, já tocamos em festivais juntos, nos encontrávamos nos bastidores. Sempre tivemos um carinho muito grande.

Depois que o Lagum começou a deslanchar e nós também, a gente sempre teve essa vontade de fazer algo com eles. E como estamos para lançar o segundo álbum, pensamos neles.

O primeiro nome que surgiu para a colaboração foi o Pedro [do Lagum], em chamar ele e a banda. Nós chamamos e eles toparam.

Nós tínhamos essa composição [Nunca Fui Desse Lugar], que gostávamos muito e sabíamos que ele também, e fizemos. Antes, a música quase foi para no segundo álbum deles. Foi muito natural.

Como as duas bandas são de Minas Gerais, algumas pessoas fazem comparações. Você já chegou a escutar algo assim? O que você acha dessa competição?

Acho que isso faz parte do jogo, sabe? A galera compara, quem gosta de um não gosta de outro por algum motivo. Eu mesmo gosto de muitas coisa do Daparte, mas admiro algumas no Lagum.

Não acho que seja uma competição. Nós criamos essa ideia às vezes, pois o tempo inteiro tem gente criando comparações, fazendo algo com competitividade. Não acho que comparação é algo ruim e acho que não tem muito sentido competir na música.

Não rola rivalidade e nem nada do tipo, até porque é uma relação de amizade e companheirismo antes de ser apenas colegas de profissão.

A colaboração é isso, para os fãs. Acho que a galera que curte a gente, curte ele e vice-versa. Então, está sendo uma grande festa nas redes sociais.

O videoclipe foi gravado em um casarão, né? Tem alguma história bizarra ou engraçada que aconteceu durante as gravações?

Acho que não. Infelizmente, não tenho nada muito bizarro para contar. Para ser sincero, nem parecia que estávamos lá gravando um videoclipe, pois fazia muito tempo que não nos encontrávamos.

Foi uma reunião entre amigos. A gente gravava uma cena e já voltava para o jardim, onde estava todo mundo trocando ideia e conversando. Foi bem tranquilo e bem rápido, a gente gravou o videoclipe inteiro em uma tarde.

O nome da música é ‘Nunca Fui Desse Lugar”, mas agora quero saber, tiveram momentos da vida em que você disse “eu não sou desse lugar”?

Tirando a música, eu sempre fui uma pessoa que se sentia deslocada em vários aspectos. Acho que faz parte do meu desenvolvimento, do momento que estou na vida, de ser um jovem adulto vivendo uma carreira não muito convencional.

Estou vivendo essa fase agora, da juventude adulta, em que sentimos que somos crianças, mas temos que criar responsabilidades. Ficamos desesperados e com um pouco de ansiedade, com medo de dar tudo errado, mas vamos seguindo e as coisas vão acontecendo.

Sentimos que estamos no caminho certo, mas também temos essa pulga atrás da orelha “será que realmente estou no caminho certo?”. Mais do que nunca eu sinto em alguns momentos que talvez não esteja fazendo a coisa certa, mas é um sonho muito grande que estou buscando e realizando.

Quem é a sua inspiração pessoal? Como banda você têm uma inspiração em comum?

É uma reposta para as duas perguntas. Nossa maior inspiração quanto banda e pessoal, são os “The Beatles”. Admiramos muito tudo que eles fizeram e achamos tudo muito sólido e impecável.

Fico entre eles toda hora. Acho que juntaram quatro seres muito especiais em um momento crítico da cultura pop mundial e tudo colaborou para ser um fenômeno. Somos pirados por Beatles.

Qual é a parceria dos sonhos para você?

Paul McCartney seria a parceria mais realizadora. Sabemos que não vai acontecer, mas não podemos deixar de sonhar. Nacional, eu ia ficar muito feliz se algum dos caras do “Clube da Esquina”, Lô Borges ou Milton Nascimento gravasse uma música comigo.

Se você tivesse me perguntado isso a um ano atrás, eu provavelmente colocaria o Lagum como uma parceria que eu ia gostar muito também, pois sempre rolou a vontade de fazer alguma coisa com uma banda daqui.

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