Dia: 16 de Março, 2021

Foto: Joshua Lima/Stylist: Cleyton Vinicius Costa

O livro “Ariel:  Travessia de um Príncipe Trans e Quilombola”, escrito pelo jornalista Jared Amarante, foi lançado em janeiro e aborda a história de um príncipe transexual, gordo e preto.

A narrativa retrata a travessia e transição de Ariel, personagem principal que para no Quilombocéu após sofrer racismo e transfobia de seu próprio pai. Neste local, o jovem se sente aceito e é coroado como príncipe da paz.

O prefácio da obra foi feito pelo o psicólogo Wellington Oliveira e as ilustrações, por Nathan Borges. Atualmente, o livro está sendo vendido pela Giostri Editora e custa R$ 45.

 

Para saber mais sobre este lançamento, o Conexão POP bateu um super papo com Jared Amarante, jornalista e escritor. Confira:

Como surgiu a ideia de fazer um personagem como Ariel?

Bom, são muitos questionamentos. Um deles foi ‘por que até hoje não fizeram um personagem trans, preto e gordo’? Com isso, eu até percebi que tem livro sobre um príncipe preto ou em uma viés mais europeu, mas um príncipe trans eu não tinha visto, assim como um trans, preto e gordo, que a gente não encontra.

Então, acho que esse livro tem uma unicidade e pensei em unir essas características porque essas pessoas existem. Eu fiquei me perguntando ‘onde estão essas crianças, adolescentes e adultos trans, e gordos? Eles existem, estão no mundo, mas onde eles estão ou não estão representados? Quando a gente não tem representatividade, dá uma sensação de que não existe.

Então, quando a criança entrar em contato com esta obra, poderá falar para os pais ‘olha, ele é um príncipe trans, preto e gordo, eu também posso ser’.

Eu sempre quis ter um protagonista trans. Acho que esse livro pode ser uma denúncia de um transfóbico, gordofóbico e racista. E eu entendo que eu, como homem branco, se não faço nada em prol ao homem preto, eu estou fazendo a manutenção do racismo.

Você falou com trans, pretos e gordos durante a criação do livro?

Na verdade, esse livro demorou quatro anos para ficar pronto justamente porque eu me senti na obrigação de descer de alguns pedestais nos quais eu sei que a sociedade coloca corpos como o meu.

Então, eu não poderia simplesmente criar um príncipe trans, preto e gordo, uma vez que essas características não tocam a minha pele e eu vou passar a vida inteira sem senti-las. Passei mais de quatro anos entrevistando homens e mulheres trans de todas as regiões do país, que, inclusive, resultou em nove entrevistas que estão neste livro. A concepção de Ariel veio de um laboratório que chamo de observação.

A minha maior inspiração foi olhar esses corpos. Tentar minimamente compreender suas travessias e tentar senti-los.

Você acredita que o preconceito diminuiu com o passar dos anos?

Eu não posso dizer que nada mudou, mas ainda somos o país que mais mata corpos trans. A estatística já diz muito, somos um país que naturaliza a morte dos corpos pretos – que nega o racismo.

Claro, tivemos algumas evoluções em vários quesitos, como as leis que defendem e nos ajudam nessa questões, as cotas… Tivemos alguns avanços, mas é mínimo perto de uma estrutura que vem machucando esses corpos desde que o branco falou ‘você é preto, vem aqui ser escravo’. Então, não tem como dizer que avançamos muito.

Estamos muito em falta, tanto que é uma dívida histórica. Temos que fazer algo para que esses corpos tenham igualdade. A ignorância mata igual a bala do revólver, do policial que atinge um corpo preto.

Através do conhecimento e de não negar as coisas, podemos entender mais. Por exemplo, se você fala de educação sexual, você consegue ter uma percepção maior sobre as identidades de gênero.

Hoje, se você perguntar para 100 pessoas o que é sexo, identidade de gênero ou orientação sexual, elas não sabem falar. E isso é dar um ‘google’.

Este é o seu primeiro livro voltado ao público infanto-juvenil. Como surgiu a ideia de usar esse tema e segmentar esse público-alvo?

Eu sempre fui apaixonado por criança e minha paixão por crianças é desde cedo, e me considero uma eterna criança. Acho que tudo está muito linkado à criança, somos adultos curando feridas de criança.

A falta de representatividade é justamente o foco. As crianças olhavam e não tinham referências e não se sentiam pertencentes ao mundo. Imagina uma criança preta, agora uma preta e gorda, e some isso à questão de gênero como ela sofre?

Essas crianças existem e estão no mundo. Então, o meu olhar para elas foi ‘como deve ser
nascer, crescer, até uma idade em que vê contos de fadas e não se vê ali?’. Meu olhar para esse público é que devolvesse minimamente o sentimento de pertencimento e representatividade.

Eu preciso saber que essas crianças estão crescendo com o referencial de que podem ser príncipes, ser amados… A criança quando se sente vista, ela se sente amada, pertencente e acolhida.

Você pretende escrever mais obras para esse público?

Sim, eu penso. Eu penso muito em fazer ainda sobre as questões de gênero, mas não terei um outro protagonista trans.

Eu também tenho alguns projetos voltados ao público infanto-juvenil. Muita coisa está
bem no início, então não dá para adiantar muita coisa, mas eu quero passar por essas questões de gênero e raciais.

Acho que trazer esses assuntos para crianças educa. Quando eu falo infanto-juvenil, digo que é um livro universal, pois se levar o livro para os pais, ele proporciona uma psicoeducação.

Você percebe alguma diferença entre o seu primeiro livro e o sexto?

Tem muita diferença e eu não consigo nem dizer todas, mas gosto dizer assim: todos os meus livros são pautados em uma questão social. A minha primeira história foi sobre uma prostituta e eu queria trazer o olhar social para a prostituta.

Depois, os meus livros trouxeram doenças – com personagens enfrentando doenças terminais. E, meu último livro antes do Ariel foi sobre o amor de dois meninos evangélicos.

Então, eu falo de temas que as pessoas não querem falar. Então, nesse viés eu sou o mesmo, mas na questão da escrita eu melhorei muito. Eu não vou falar que sou um escritor completo, pois só tenho seis livros.

Eu acho que meus diálogos são muito melhores dos que eram antes e também acho que aperfeiçoei as ambientações. Hoje, os meus diálogos têm um caráter muito mais profundo.

Ariel também é diferente, pois é a minha primeira obra lúdica e fantasiosa. Eu nunca escrevi algo onde as nuvens tivessem cheiro ou as árvores falassem… Por eu nunca ter escrito algo com essa ludicidade, foi bem desafiador.

Na última sexta-feira, dia 12, Taby e Mad Dogz se uniram para o lançamento de “Pane”, single que marca o início de uma nova etapa da carreira da artista, agora há poucos meses de completar 15 anos. Fazendo jus a proposta de apresentar algo diferente, a cantora divulgou nesta terça-feira, dia 16, o clipe oficial da música.

‘Pane’ é o meu single mais maduro e, pra mim, já é um divisor de águas na minha carreira. Eu faço 15 anos em maio e achei importante lançar uma música que refletisse essa fase mais adolescente que estou vivendo. Convidei o Mad Dogz, que é um grupo de DJs que admiro muito, para gravar comigo e o resultado ficou maravilhoso! Eu acho que eu amadureci muito no âmbito pessoal e musical neste período de pandemia – estou me conhecendo melhor, sabendo o que quero, e isso acaba refletindo no meu trabalho. Sei que não sou adulta ainda, mas não sou mais aquela menininha que gravou ‘Pega Pega’ (seu primeiro hit, lançado em 2018). Meus fãs me apoiam muito e estão crescendo comigo, então acho que todo mundo vai adorar.

Dirigido por Mateus Rigola, o vídeo mostra uma vibe divertida entre os artistas no meio de uma sorveteria e uma loja de roupas, além de trazer muita dança.

Para a gente, gravar com a Taby é quase como estar em família. Somos da mesma gravadora e estávamos buscando uma cantora com o perfil dela para gravar conosco. Queríamos dar uma ousada, misturar um som adulto com uma parada mais teen e achamos a Taby a pessoa perfeita pra isso! Como ela canta e nós somos produtores, não tinha como: uma hora ou outra, íamos fazer um som juntos e calhou demais com esse momento, próximo dela completar 15 anos e estar entrando em uma fase musicalmente mais madura – conta Rivas, integrante do Mad Dogz.

Fenômeno nas redes sociais, dona de hits que caíram no gosto do público infantil e adolescente, como “Travadinha”, “Equilibradinho”, “Pipoca (feat. Lore Improta) e “Tapinha”Taby já acumula mais de 106 milhões de visualizações em seu canal oficial no YouTube, além de contar com 4.3 milhões de seguidores no Instagram e mais de 3 milhões no TikTok.